Alienação

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(de alienar e este do lat. Alienare: enajenar). Tergiversação do equilíbrio dos fatores da atividade individual e social em favor da coisificação dos valores e em prejuízo de outros intangíveis psicológicos que fazem parte do desenvolvimento do ser humano. A palavra “alienação”, tomada de Hegel em sua Fenomenologia do Espírito, pode também ser traduzida como despossessão, alheamento ou alienamento. Neste autor, alienação aparece encarnando uma “consciência infeliz”, uma “consciência de si como natureza dividida”. Este filosofo considera que a consciência pode ser experimentada como separada da realidade à qual pertence, o que dá um registro de “rasgamento” da consciência consigo mesma. A popularidade desta idéia cresceu quando Feurbach a considerou no seu aspecto “natural – social”, influindo na interpretação que dela fez Marx nos Manuscritos econômicos e sociais, de 1844.

Com o desenvolvimento do Estado e a complicação da vida social, o individuo é cada vez mais esmagado pelo social, antes que nada pela autoridade e o poder alheios, sacrificando sua própria liberdade e interesse. Mas, na medida em que evolui a sociedade civil, amplia-se a camada dos cidadãos que participam de diferentes formas nos assuntos sociais e estatais, na tomada de decisões e na gestão social, até chegar à propriedade do trabalhador, das fontes e meios de produção. Os marcos inicialmente estreitos da Democracia se ampliam abarcando a maioria da população adulta, mesmo quando essa Democracia tenha, até hoje, caráter mais ou menos formal. Os estrangeiros e os apátridas, inicialmente privados dos direitos civis, cobram certos direitos, estabelecidos nacional e internacionalmente. Por outra parte, o desenvolvimento da técnica subordina cada vez mais o ser humano à ação da máquina, mudando seu ritmo de vida e constringindo muitas de suas funções orgânicas. O progresso no plano cientifico – técnico assegura às pessoas o domínio das forças naturais cada vez com maior amplitude, o que lhes dá inusitada mobilidade no espaço, acelerando o “tempo” social, realizando comunicações mais variadas, abrindo a saída ao cosmos, permitindo-lhes criar meios artificiais de habitação que correspondem às suas necessidades. Não obstante, todos estas conquistas têm gerado novos perigos, colocando sob ameaça a existência da vida na Terra. O desenvolvimento da cultura e, sobretudo, da corrente informativa em geral, testemunha o progresso intelectual, mas também mostra o crescimento do controlo subjetivo sobre a existência individual, subordinando-a a impulsos e pensamentos alheios. No plano da cultura e da arte, o ser humano passa para a criação de um mundo novo com propriedades não existentes na natureza. A diversidade tem crescido bastante, mas, juntamente com a ampliação dos marcos humanos da cultura, se revela uma tendência para a uniformidade, o que pode levar à obstrução da civilização como sistema fechado.

A crescente divisão do trabalho, a ampliação do mercado, o aumento da tecnologia e as comunicações, têm correspondência com a desestruturação geral das antigas formas institucionais e modos de relação social, se evidenciando mudanças também no comportamento coletivo e pessoal, que desequilibram a adaptação crescente (*) às novas situações. Por uma parte, a inércia social de instituições e formas de relação obsoletas não fornecem apoio para transitar o momento de cambio que está se evidenciando; por outro, as exigências de progresso não mostram uma direção clara do desenvolvimento. Esta situação se experimenta como uma das tantas alienações que estão batendo nas portas da civilização. Estas perturbações se expressam em agressividade crescente, neuroses, suicídio, etc. Ocorre o fetichismo dos mecanismos sociais e tecnológicos em detrimento das relações interpessoais propriamente humanas e em prejuízo da perfeição espiritual e moral dos seres humanos. O poder, a cultura, a vida espiritual, se concentram em mãos de elites reduzidas, tendo como resultado os indivíduos ficarem em situação dependente devido a sua separação dos bens e valores vitais. A personalidade se converte em objeto de manipulação e exploração, o isolamento e a solidão crescem e cada pessoa se sente mais desnecessária, abandonada e sem forças. Todo isto abre possibilidades para a manipulação da consciência e conduta dos povos.

O Novo Humanismo vê na alienação não tanto um problema econômico quanto existencial, vital e moral; por isso propõe como objetivo a diminuição do nível de alienação como estado perigoso que deforma a personalidade. A crise da civilização contemporânea é engendrada em grande parte pela hipertrofia de alteração e violência, por um lado, e pela busca dos caminhos da superação pelo outro. A humanidade aspira a assegurar o progresso nos novos caminhos sem a ampliação da alienação. O futuro não será privado de elementos de alienação, mas, o ser humano pode atuar de um modo consciente numa direção determinada sobre o social e sobre si mesmo, para harmonizar fatores externos e internos de sua vida. Neste sentido, o Novo Humanismo representa um grande movimento contra o perigo da alienação crescente.