Idealismo

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Frequentemente faz-se referência ao platonismo e neoplatonismo como filosofias idealistas, mas como do ponto de vista da teoria dos universais estes filósofos são considerados “realistas” por afirmar que as ideias são “reais”, o termo idealismo aplicado a estas correntes presta-se a erros. É preferível, portanto, falar do idealismo moderno em termos filosóficos referidos ao aspecto gnosiológico e metafísico. Em geral, estes filósofos tomam como ponto de partida da sua reflexão, não o mundo em torno (“exterior”) mas sim ao “eu”, ou à “consciência”. E precisamente porque o “eu” é ideador, é representativo, o vocábulo idealismo fica justificado. Do ponto de vista gnosiológico a pergunta básica é “como se podem conhecer as coisas?”, e do ponto de vista metafísico, “ser” significa “ser dado na consciência”. O idealismo é assim um modo de entender o ser. Isto não significa que o idealismo pretende reduzir o ser ou a realidade à consciência ou ao sujeito.

O vocábulo idealismo costuma ser usado também em relação com os ideais e então designa-se como “idealista” todo aquele que supõe que as ações humanas devem reger-se por ideais (sejam ou não realizáveis). Assim, dá-se ao termo idealismo conotações éticas e/ou políticas. Neste sentido, frequentemente opõe-se esta atitude à do realismo, entendendo esta última posição como a de supor como o mais importante as “realidades”, os fatos, percebidos sem ter em conta a perspectiva desde onde se os aprecia.

Também se entende como idealismo um particular enfoque da vida social, que nega o papel decisivo dos fatores económicos e tecnológicos, explicando todos os fatos pelas características subjetivas das populações. Deste modo, os idealistas rejeitam a influência de regularidades no desenvolvimento da civilização. Quanto a isto, a escola humanista aprecia o poderio enorme do valor subjetivo, assim como estima as conceções e mitos da vida das pessoas, mas também vê nessas formações da consciência a ação das condições da vida social.

Frequentemente tem-se estabelecido uma torpe divisão entre idealismo e materialismo, sendo que em cada postura alguns dos seus representantes tem importantes pontos de interseção com os da outra. No nível informativo não académico existe uma grande confusão entre termos como “idealismo” e “subjetivismo”, “materialismo” e “objetivismo”. Diferentes correntes ideológicas têm modificado sistematicamente os alcances e significados destas palavras com a intenção de desqualificar posições contrárias, mas isto acabou por desfavorecer todos os bandos. Hoje, acusar alguém de “idealista” ou “materialista” não tem maiores consequências, nem tem valor de qualificativo pejorativo. Simplesmente, estas palavras fora dos círculos especializados têm perdido o seu estrito significado.