Estrutura

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Este vocábulo pode ser definido de maneira muito ampla e também restringida. Uma série de números tomados ao acaso é, de todas as maneiras, uma “série”; ou seja, uma estrutura entendida em sentido lato. Só não seria estrutura aquilo que é definitivamente amorfo, o que equivale a dizer: “o que não tem estrutura não é uma estrutura”. Mas esta formulação é vazia. No sentido explicado por Husserl, os elementos de um todo não são compreendidos como partes do mesmo, senão como membros; e assim, o conjunto, o grupo, é um todo e não uma “soma”. Os membros de um conjunto dado estão correlacionados de maneira que não são independentes uns dos outros, e se compenetram mutuamente. Isto marca uma diferença importante em relação à conceção atomista e seu método de análise, no que se refere ao estudo de uma estrutura. Quando Husserl estabelece que na estrutura da percepção ou da representação, a “cor” não é independente da “extensão”, está assinalando que uma separação atomista entre ambos os termos rompe, precisamente, a real essência da percepção ou representação. Assim, a consciência em geral deve ser vista como uma estrutura que se modifica na sua posição-no-mundo e na qual qualquer dos seus membros está relacionado com outros de modo inseparável nessa mudança de posição. Esta descrição é válida para a compreensão de diversas estruturas, como a historicidade ou a sociedade humana.

Quanto à relação entre uma estrutura e o seu meio (o que por sua vez deve ser considerado como estrutura, p.ex., o meio biótico), costuma se designar como “sistema” (p.ex.: sistema ecológico). Em geral, num sistema as estruturas se inter-relacionam como membros do mesmo. Quando se fala de o-ser-humano-no-mundo, se está mencionando um sistema de estruturas não independentes e, nesse caso, não pode se considerar o ser humano em si, mas sim em “abertura” para o mundo e, por sua vez, o “mundo” só pode ser captado com significado em relação ao ser humano.