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	<title>Humanismo Cristão - Histórico de revisões</title>
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		<title>Natacha Mota em 16h12min de 5 de março de 2018</title>
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A Igreja autorizou a formação de partidos de massas de inspiração cristã e voltou a propor-se a si mesma como portadora de uma visão do mundo e de uma ética capazes de dar resposta às necessidades mais profundas do homem moderno. É neste intento que se enquadra o humanismo cristão, cujo iniciador pode ser considerado J. Maritain. Este tinha sido, primeiro, aluno de Bérgson, e depois tinha aderido ao socialismo revolucionário. Insatisfeito com ambas as filosofias, em 1906 converteu-se ao Catolicismo. Foi um dos expoentes mais notáveis da chamada neo-escolástica, ou neotomismo. Ou seja, daquela corrente do pensamento católico moderno que remonta diretamente a São Tomás de Aquino e, através dele, a Aristóteles, cujo pensamento São Tomas havia adaptado aos dogmas cristãos. A de Maritain é, então, uma posição cultural que se contrapõe radicalmente à tendência mais geral do pensamento moderno, do Renascimento em diante. Com efeito, foi precisamente contra a escolástica tomista (a expressão mais típica do pensamento medieval), que tinham se lançado os humanistas do Renascimento. Deste modo, Maritain dá um salto para trás, para além do Renascimento. E faz isto porque é precisamente no humanismo renascentista onde descobre os germes que têm levado à crise e ao quebrantamento da sociedade atual. Com isto, ele não pretende explicitamente revalorizar o Medievo e a visão cristã ligada àquele período, mas retomar o fio de uma evolução histórica do Cristianismo e seu aperfeiçoamento na sociedade que, segundo a sua visão, tem sido comprometido pelo pensamento moderno, laico e secular. No seu livro Humanismo Integral, Maritain examina a evolução do pensamento moderno desde a crise da Cristandade medieval ao individualismo burguês do século XIX e ao totalitarismo do século XX. Nesta evolução ele vê a tragédia do humanismo ‘antropocêntrico’ (assim o chama), que se desenvolve a partir do Renascimento. Este humanismo, que tem levado a uma progressiva descristianização de Ocidente é uma metafísica da ‘liberdade sem a Graça’. Eis aqui as etapas desta decadência progressiva: ‘Quanto ao homem, pode-se notar que durante o primeiro período da época moderna, primeiro que tudo com Descartes e logo com Rousseau e Kant, o racionalismo tinha construído da personalidade do homem uma imagem soberba e esplêndida, indestrutível, zelosa de sua imanência e autonomia e, finalmente, boa por essência’. Mas esta soberba racionalista, que primeiro eliminou todos os valores tradicionais e transcendentes e logo, com o idealismo, até a noção de realidade objetiva, tem gerado ela mesma a sua própria destruição. Primeiro Darwin e depois Freud assestaram os golpes mortais à visão otimista e progressista do humanismo antropocêntrico. Com Darwin, o homem descobre que não existe descontinuidade biológica entre ele e o macaco. Mas, não somente isto: entre ele e o macaco nem sequer existe uma verdadeira distinção metafísica, é dizer, não há uma mudança de essência, um verdadeiro salto de qualidade. Com Freud, o homem descobre que suas motivações mais profundas estão ditadas em realidade pela líbido sexual e o instinto de morte. No final deste processo dialético e destrutivo, já se abriram as portas aos totalitarismos modernos. Conclui Maritain: ‘Depois de todas as dissociações e os dualismos da época humanística...assistimos a uma dispersão e uma decomposição definitivas. O que não impede o [[ser humano]] de reivindicar mais do que nunca a própria soberania, mas já não mais para a pessoa individual. Esta já não sabe onde está e vê-se somente dissociada e decomposta. Está já madura para abdicar em favor do homem coletivo, daquela grande figura histórica da humanidade da qual Hegel tem feito teologia e que, para ele, consistia no Estado como sua perfeita estrutura jurídica, e que com Marx consistirá na sociedade comunista com o seu dinamismo imanente’.&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class=&quot;diff-marker&quot;&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style=&quot;background-color: #f8f9fa; color: #202122; font-size: 88%; border-style: solid; border-width: 1px 1px 1px 4px; border-radius: 0.33em; border-color: #eaecf0; vertical-align: top; white-space: pre-wrap;&quot;&gt;&lt;div&gt;Passamos a dar a interpretação de Salvatore Puledda em “Interpretações do Humanismo (II. O Humanismo Cristão)”. “A interpretação do Cristianismo de cariz humanista deve-se enquadrar no processo geral de revisão e de adaptação das doutrinas cristãs ao mundo moderno, com respeito ao qual a Igreja tinha adotado durante séculos uma posição de rejeição ou de aberta condenação. Normalmente, considera-se que a viragem da Igreja começa a partir da encíclica Rerum Novarum, de Leão XIII (1891). Com esta encíclica, a Igreja adoptou uma doutrina social que pudesse contrapor o liberalismo e o socialismo. A Igreja autorizou a formação de partidos de massas de inspiração cristã e voltou a propor-se a si mesma como portadora de uma visão do mundo e de uma ética capazes de dar resposta às necessidades mais profundas do homem moderno. É neste intento que se enquadra o humanismo cristão, cujo iniciador pode ser considerado J. Maritain. Este tinha sido, primeiro, aluno de Bérgson, e depois tinha aderido ao socialismo revolucionário. Insatisfeito com ambas as filosofias, em 1906 converteu-se ao Catolicismo. Foi um dos expoentes mais notáveis da chamada neo-escolástica, ou neotomismo. Ou seja, daquela corrente do pensamento católico moderno que remonta diretamente a São Tomás de Aquino e, através dele, a Aristóteles, cujo pensamento São Tomas havia adaptado aos dogmas cristãos. A de Maritain é, então, uma posição cultural que se contrapõe radicalmente à tendência mais geral do pensamento moderno, do Renascimento em diante. Com efeito, foi precisamente contra a escolástica tomista (a expressão mais típica do pensamento medieval), que tinham se lançado os humanistas do Renascimento. Deste modo, Maritain dá um salto para trás, para além do Renascimento. E faz isto porque é precisamente no humanismo renascentista onde descobre os germes que têm levado à crise e ao quebrantamento da sociedade atual. Com isto, ele não pretende explicitamente revalorizar o Medievo e a visão cristã ligada àquele período, mas retomar o fio de uma evolução histórica do Cristianismo e seu aperfeiçoamento na sociedade que, segundo a sua visão, tem sido comprometido pelo pensamento moderno, laico e secular. No seu livro Humanismo Integral, Maritain examina a evolução do pensamento moderno desde a crise da Cristandade medieval ao individualismo burguês do século XIX e ao totalitarismo do século XX. Nesta evolução ele vê a tragédia do humanismo ‘antropocêntrico’ (assim o chama), que se desenvolve a partir do Renascimento. Este humanismo, que tem levado a uma progressiva descristianização de Ocidente é uma metafísica da ‘liberdade sem a Graça’. Eis aqui as etapas desta decadência progressiva: ‘Quanto ao homem, pode-se notar que durante o primeiro período da época moderna, primeiro que tudo com Descartes e logo com Rousseau e Kant, o racionalismo tinha construído da personalidade do homem uma imagem soberba e esplêndida, indestrutível, zelosa de sua imanência e autonomia e, finalmente, boa por essência’. Mas esta soberba racionalista, que primeiro eliminou todos os valores tradicionais e transcendentes e logo, com o idealismo, até a noção de realidade objetiva, tem gerado ela mesma a sua própria destruição. Primeiro Darwin e depois Freud assestaram os golpes mortais à visão otimista e progressista do humanismo antropocêntrico. Com Darwin, o homem descobre que não existe descontinuidade biológica entre ele e o macaco. Mas, não somente isto: entre ele e o macaco nem sequer existe uma verdadeira distinção metafísica, é dizer, não há uma mudança de essência, um verdadeiro salto de qualidade. Com Freud, o homem descobre que suas motivações mais profundas estão ditadas em realidade pela líbido sexual e o instinto de morte. No final deste processo dialético e destrutivo, já se abriram as portas aos totalitarismos modernos. Conclui Maritain: ‘Depois de todas as dissociações e os dualismos da época humanística...assistimos a uma dispersão e uma decomposição definitivas. O que não impede o [[ser humano]] de reivindicar mais do que nunca a própria soberania, mas já não mais para a pessoa individual. Esta já não sabe onde está e vê-se somente dissociada e decomposta. Está já madura para abdicar em favor do homem coletivo, daquela grande figura histórica da humanidade da qual Hegel tem feito teologia e que, para ele, consistia no Estado como sua perfeita estrutura jurídica, e que com Marx consistirá na sociedade comunista com o seu dinamismo imanente’.&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
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O segundo acredita que o homem &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;mesmo &lt;/del&gt;é o centro do mundo, e &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;pelo tanto &lt;/del&gt;de todas as coisas, e implica um conceito naturalista do homem e da liberdade. Entende-se &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;porque &lt;/del&gt;o humanismo antropocêntrico merece o nome de humanismo inumano e que sua dialética deva ser considerada a tragédia do humanismo’. Ao humanismo teocêntrico, Maritain lhe &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;confia &lt;/del&gt;a tarefa de reconstruir um mundo orgânico que reconduza à sociedade profana sob a &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;guia &lt;/del&gt;dos valores cristãos. A interpretação cristã que Maritain deu do humanismo foi acolhida com entusiasmo em alguns setores da Igreja e entre vários grupos laicos. Por outra parte, inspirou numerosos movimentos católicos comprometidos com a ação social e a vida política, &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;resultando &lt;/del&gt;ser uma arma ideológica, sobretudo contra o marxismo. Mas essa interpretação recebeu também &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;criticas &lt;/del&gt;demolidoras em âmbitos filosóficos não eclesiásticos. Em primeiro lugar, observou-se que a tendência racionalista que aparece na filosofia post renascentista e que Maritain denuncia em Descartes, Kant e Hegel, pode&lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;-se fazer &lt;/del&gt;remontar à Escolástica tardia e inclusive ao pensamento de Santo Tomás. Esta tendência, que levará à crise e derrota da razão, não é um produto do humanismo renascentista, &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;senão mais bem &lt;/del&gt;do tomismo. Para estes críticos, Maritain cumpriu com uma obra colossal de mistificação e camuflagem, quase um jogo de prestidigitação filosófica, atribuindo ao Renascimento uma responsabilidade histórica que, pelo &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;contrario&lt;/del&gt;, pertence ao pensamento cristão medieval tardio. A filosofia cartesiana que se encontra na base do pensamento moderno, &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;em &lt;/del&gt;seu racionalismo se &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;reconecta &lt;/del&gt;muito mais com São Tomas que com o neoplatonismo e o hermetismo místico do Renascimento. As raízes da “Soberba da Razão” da filosofia moderna devem ser &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;buscadas&lt;/del&gt;, por conseguinte, na pretensão do tomismo de construir uma teologia intelectualista e abstrata. Em segundo lugar, a crise dos valores e o vazio existencial ao qual tem chegado o pensamento europeu com Darwin, Nietzsche e Freud não é uma &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;conseqüência &lt;/del&gt;do humanismo renascentista, &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;senão &lt;/del&gt;pelo &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;contrario&lt;/del&gt;, deriva da persistência de &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;conceições &lt;/del&gt;cristãs medievais dentro da sociedade moderna. 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A esquizofrenia do mundo atual, a ‘dialética destrutiva’ &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;de &lt;/del&gt;Ocidente (sobre a qual Maritain insiste) deriva, segundo estes críticos, da coexistência de valores humanos e anti-humanos, e deve ser explicada como o intento doloroso &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;por &lt;/del&gt;se &lt;del style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;liberar &lt;/del&gt;dessa pugna interna”.&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class=&quot;diff-marker&quot; data-marker=&quot;+&quot;&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style=&quot;color: #202122; font-size: 88%; border-style: solid; border-width: 1px 1px 1px 4px; border-radius: 0.33em; border-color: #a3d3ff; vertical-align: top; white-space: pre-wrap;&quot;&gt;&lt;div&gt;Ao humanismo antropocêntrico, cuja evolução assim descreveu, Maritain opõe um humanismo cristão, que ele define como ‘integral’ ou ‘teocêntrico’. Eis aqui como se expressa: ‘Somos assim levados a distinguir dois tipos de humanismo: um [[humanismo teocêntrico]], ou verdadeiramente cristão e um humanismo antropocêntrico do qual são responsáveis o espírito do Renascimento e o da Reforma. O primeiro tipo de humanismo reconhece que Deus é o centro do homem, implica o conceito cristão de homem pecador e redimido, e o conceito cristão da A Graça e a liberdade. O segundo acredita que o &lt;ins style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;próprio &lt;/ins&gt;homem é o centro do mundo, e &lt;ins style=&quot;font-weight: bold; text-decoration: none;&quot;&gt;portanto &lt;/ins&gt;de todas as coisas, e implica um conceito naturalista do homem e da liberdade. 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		<author><name>Natacha Mota</name></author>
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		<title>Natacha Mota em 16h04min de 5 de março de 2018</title>
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A Igreja autorizou a formação de partidos de massas de inspiração cristã e voltou a propor-se a si mesma como portadora de uma visão do mundo e de uma ética capazes de dar resposta às necessidades mais profundas do homem moderno. É neste intento que se enquadra o humanismo cristão, cujo iniciador pode ser considerado J. Maritain. Este tinha sido, primeiro, aluno de Bérgson, e depois tinha aderido ao socialismo revolucionário. Insatisfeito com ambas as filosofias, em 1906 converteu-se ao Catolicismo. Foi um dos expoentes mais notáveis da chamada neo-escolástica, ou neotomismo. Ou seja, daquela corrente do pensamento católico moderno que remonta diretamente a São Tomás de Aquino e, através dele, a Aristóteles, cujo pensamento São Tomas havia adaptado aos dogmas cristãos. A de Maritain é, então, uma posição cultural que se contrapõe radicalmente à tendência mais geral do pensamento moderno, do Renascimento em diante. Com efeito, foi precisamente contra a escolástica tomista (a expressão mais típica do pensamento medieval), que tinham se lançado os humanistas do Renascimento. Deste modo, Maritain dá um salto para trás, para além do Renascimento. E faz isto porque é precisamente no humanismo renascentista onde descobre os germes que têm levado à crise e ao quebrantamento da sociedade atual. Com isto, ele não pretende explicitamente revalorizar o Medievo e a visão cristã ligada àquele período, mas retomar o fio de uma evolução histórica do Cristianismo e seu aperfeiçoamento na sociedade que, segundo a sua visão, tem sido comprometido pelo pensamento moderno, laico e secular. No seu livro Humanismo Integral, Maritain examina a evolução do pensamento moderno desde a crise da Cristandade medieval ao individualismo burguês do século XIX e ao totalitarismo do século XX. Nesta evolução ele vê a tragédia do humanismo ‘antropocêntrico’ (assim o chama), que se desenvolve a partir do Renascimento. Este humanismo, que tem levado a uma progressiva descristianização de Ocidente é uma metafísica da ‘liberdade sem a Graça’. Eis aqui as etapas desta decadência progressiva: ‘Quanto ao homem, pode-se notar que durante o primeiro período da época moderna, primeiro que tudo com Descartes e logo com Rousseau e Kant, o racionalismo tinha construído da personalidade do homem uma imagem soberba e esplêndida, indestrutível, zelosa de sua imanência e autonomia e, finalmente, boa por essência’. Mas esta soberba racionalista, que primeiro eliminou todos os valores tradicionais e transcendentes e logo, com o idealismo, até a noção de realidade objetiva, tem gerado ela mesma a sua própria destruição. Primeiro Darwin e depois Freud assestaram os golpes mortais à visão otimista e progressista do humanismo antropocêntrico. Com Darwin, o homem descobre que não existe descontinuidade biológica entre ele e o macaco. Mas, não somente isto: entre ele e o macaco nem sequer existe uma verdadeira distinção metafísica, é dizer, não há uma mudança de essência, um verdadeiro salto de qualidade. Com Freud, o homem descobre que suas motivações mais profundas estão ditadas em realidade pela líbido sexual e o instinto de morte. No final deste processo dialético e destrutivo, já se abriram as portas aos totalitarismos modernos. Conclui Maritain: ‘Depois de todas as dissociações e os dualismos da época humanística...assistimos a uma dispersão e uma decomposição definitivas. O que não impede o [[ser humano]] de reivindicar mais do que nunca a própria soberania, mas já não mais para a pessoa individual. Esta já não sabe onde está e vê-se somente dissociada e decomposta. Está já madura para abdicar em favor do homem coletivo, daquela grande figura histórica da humanidade da qual Hegel tem feito teologia e que, para ele, consistia no Estado como sua perfeita estrutura jurídica, e que com Marx consistirá na sociedade comunista com o seu dinamismo imanente’.&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class=&quot;diff-marker&quot;&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style=&quot;background-color: #f8f9fa; color: #202122; font-size: 88%; border-style: solid; border-width: 1px 1px 1px 4px; border-radius: 0.33em; border-color: #eaecf0; vertical-align: top; white-space: pre-wrap;&quot;&gt;&lt;div&gt;Passamos a dar a interpretação de Salvatore Puledda em “Interpretações do Humanismo (II. O Humanismo Cristão)”. “A interpretação do Cristianismo de cariz humanista deve-se enquadrar no processo geral de revisão e de adaptação das doutrinas cristãs ao mundo moderno, com respeito ao qual a Igreja tinha adotado durante séculos uma posição de rejeição ou de aberta condenação. Normalmente, considera-se que a viragem da Igreja começa a partir da encíclica Rerum Novarum, de Leão XIII (1891). Com esta encíclica, a Igreja adoptou uma doutrina social que pudesse contrapor o liberalismo e o socialismo. A Igreja autorizou a formação de partidos de massas de inspiração cristã e voltou a propor-se a si mesma como portadora de uma visão do mundo e de uma ética capazes de dar resposta às necessidades mais profundas do homem moderno. É neste intento que se enquadra o humanismo cristão, cujo iniciador pode ser considerado J. Maritain. Este tinha sido, primeiro, aluno de Bérgson, e depois tinha aderido ao socialismo revolucionário. Insatisfeito com ambas as filosofias, em 1906 converteu-se ao Catolicismo. Foi um dos expoentes mais notáveis da chamada neo-escolástica, ou neotomismo. Ou seja, daquela corrente do pensamento católico moderno que remonta diretamente a São Tomás de Aquino e, através dele, a Aristóteles, cujo pensamento São Tomas havia adaptado aos dogmas cristãos. A de Maritain é, então, uma posição cultural que se contrapõe radicalmente à tendência mais geral do pensamento moderno, do Renascimento em diante. Com efeito, foi precisamente contra a escolástica tomista (a expressão mais típica do pensamento medieval), que tinham se lançado os humanistas do Renascimento. Deste modo, Maritain dá um salto para trás, para além do Renascimento. E faz isto porque é precisamente no humanismo renascentista onde descobre os germes que têm levado à crise e ao quebrantamento da sociedade atual. Com isto, ele não pretende explicitamente revalorizar o Medievo e a visão cristã ligada àquele período, mas retomar o fio de uma evolução histórica do Cristianismo e seu aperfeiçoamento na sociedade que, segundo a sua visão, tem sido comprometido pelo pensamento moderno, laico e secular. No seu livro Humanismo Integral, Maritain examina a evolução do pensamento moderno desde a crise da Cristandade medieval ao individualismo burguês do século XIX e ao totalitarismo do século XX. Nesta evolução ele vê a tragédia do humanismo ‘antropocêntrico’ (assim o chama), que se desenvolve a partir do Renascimento. Este humanismo, que tem levado a uma progressiva descristianização de Ocidente é uma metafísica da ‘liberdade sem a Graça’. Eis aqui as etapas desta decadência progressiva: ‘Quanto ao homem, pode-se notar que durante o primeiro período da época moderna, primeiro que tudo com Descartes e logo com Rousseau e Kant, o racionalismo tinha construído da personalidade do homem uma imagem soberba e esplêndida, indestrutível, zelosa de sua imanência e autonomia e, finalmente, boa por essência’. Mas esta soberba racionalista, que primeiro eliminou todos os valores tradicionais e transcendentes e logo, com o idealismo, até a noção de realidade objetiva, tem gerado ela mesma a sua própria destruição. Primeiro Darwin e depois Freud assestaram os golpes mortais à visão otimista e progressista do humanismo antropocêntrico. Com Darwin, o homem descobre que não existe descontinuidade biológica entre ele e o macaco. Mas, não somente isto: entre ele e o macaco nem sequer existe uma verdadeira distinção metafísica, é dizer, não há uma mudança de essência, um verdadeiro salto de qualidade. Com Freud, o homem descobre que suas motivações mais profundas estão ditadas em realidade pela líbido sexual e o instinto de morte. No final deste processo dialético e destrutivo, já se abriram as portas aos totalitarismos modernos. Conclui Maritain: ‘Depois de todas as dissociações e os dualismos da época humanística...assistimos a uma dispersão e uma decomposição definitivas. O que não impede o [[ser humano]] de reivindicar mais do que nunca a própria soberania, mas já não mais para a pessoa individual. Esta já não sabe onde está e vê-se somente dissociada e decomposta. Está já madura para abdicar em favor do homem coletivo, daquela grande figura histórica da humanidade da qual Hegel tem feito teologia e que, para ele, consistia no Estado como sua perfeita estrutura jurídica, e que com Marx consistirá na sociedade comunista com o seu dinamismo imanente’.&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
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O segundo acredita que o homem mesmo é o centro do mundo, e pelo tanto de todas as coisas, e implica um conceito naturalista do homem e da liberdade. Entende-se porque o humanismo antropocêntrico merece o nome de humanismo inumano e que sua dialética deva ser considerada a tragédia do humanismo’. Ao humanismo teocêntrico, Maritain lhe confia a tarefa de reconstruir um mundo orgânico que reconduza à sociedade profana sob a guia dos valores cristãos. A interpretação cristã que Maritain deu do humanismo foi acolhida com entusiasmo em alguns setores da Igreja e entre vários grupos laicos. Por outra parte, inspirou numerosos movimentos católicos comprometidos com a ação social e a vida política, resultando ser uma arma ideológica, sobretudo contra o marxismo. Mas essa interpretação recebeu também criticas demolidoras em âmbitos filosóficos não eclesiásticos. Em primeiro lugar, observou-se que a tendência racionalista que aparece na filosofia post renascentista e que Maritain denuncia em Descartes, Kant e Hegel, pode-se fazer remontar à Escolástica tardia e inclusive ao pensamento de Santo Tomás. Esta tendência, que levará à crise e derrota da razão, não é um produto do humanismo renascentista, senão mais bem do tomismo. Para estes críticos, Maritain cumpriu com uma obra colossal de mistificação e camuflagem, quase um jogo de prestidigitação filosófica, atribuindo ao Renascimento uma responsabilidade histórica que, pelo contrario, pertence ao pensamento cristão medieval tardio. A filosofia cartesiana que se encontra na base do pensamento moderno, em seu racionalismo se reconecta muito mais com São Tomas que com o neoplatonismo e o hermetismo místico do Renascimento. As raízes da “Soberba da Razão” da filosofia moderna devem ser buscadas, por conseguinte, na pretensão do tomismo de construir uma teologia intelectualista e abstrata. Em segundo lugar, a crise dos valores e o vazio existencial ao qual tem chegado o pensamento europeu com Darwin, Nietzsche e Freud não é uma conseqüência do humanismo renascentista, senão pelo contrario, deriva da persistência de conceições cristãs medievais dentro da sociedade moderna. A tendência ao dualismo e ao dogmatismo, o sentimento de culpa, a rejeição do corpo e do sexo, a desvalorização da mulher, o terror à morte e ao inferno, são todos resíduos do cristianismo medieval, que ainda depois do Renascimento, tem influído fortemente no pensamento ocidental. Aqueles determinaram, com a Reforma e a Contra-reforma, o âmbito sócio-cultural no qual o pensamento moderno tem se desenvolvido. A esquizofrenia do mundo atual, a ‘dialética destrutiva’ de Ocidente (sobre a qual Maritain insiste) deriva, segundo estes críticos, da coexistência de valores humanos e anti-humanos, e deve ser explicada como o intento doloroso por se liberar dessa pugna interna”.&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;td class=&quot;diff-marker&quot; data-marker=&quot;+&quot;&gt;&lt;/td&gt;&lt;td style=&quot;color: #202122; font-size: 88%; border-style: solid; border-width: 1px 1px 1px 4px; border-radius: 0.33em; border-color: #a3d3ff; vertical-align: top; white-space: pre-wrap;&quot;&gt;&lt;div&gt;Ao humanismo antropocêntrico, cuja evolução assim descreveu, Maritain opõe um humanismo cristão, que ele define como ‘integral’ ou ‘teocêntrico’. Eis aqui como se expressa: ‘Somos assim levados a distinguir dois tipos de humanismo: um [[humanismo teocêntrico]], ou verdadeiramente cristão e um humanismo antropocêntrico do qual são responsáveis o espírito do Renascimento e o da Reforma. O primeiro tipo de humanismo reconhece que Deus é o centro do homem, implica o conceito cristão de homem pecador e redimido, e o conceito cristão da A Graça e a liberdade. O segundo acredita que o homem mesmo é o centro do mundo, e pelo tanto de todas as coisas, e implica um conceito naturalista do homem e da liberdade. Entende-se porque o humanismo antropocêntrico merece o nome de humanismo inumano e que sua dialética deva ser considerada a tragédia do humanismo’. Ao humanismo teocêntrico, Maritain lhe confia a tarefa de reconstruir um mundo orgânico que reconduza à sociedade profana sob a guia dos valores cristãos. A interpretação cristã que Maritain deu do humanismo foi acolhida com entusiasmo em alguns setores da Igreja e entre vários grupos laicos. Por outra parte, inspirou numerosos movimentos católicos comprometidos com a ação social e a vida política, resultando ser uma arma ideológica, sobretudo contra o marxismo. Mas essa interpretação recebeu também criticas demolidoras em âmbitos filosóficos não eclesiásticos. Em primeiro lugar, observou-se que a tendência racionalista que aparece na filosofia post renascentista e que Maritain denuncia em Descartes, Kant e Hegel, pode-se fazer remontar à Escolástica tardia e inclusive ao pensamento de Santo Tomás. Esta tendência, que levará à crise e derrota da razão, não é um produto do humanismo renascentista, senão mais bem do tomismo. Para estes críticos, Maritain cumpriu com uma obra colossal de mistificação e camuflagem, quase um jogo de prestidigitação filosófica, atribuindo ao Renascimento uma responsabilidade histórica que, pelo contrario, pertence ao pensamento cristão medieval tardio. A filosofia cartesiana que se encontra na base do pensamento moderno, em seu racionalismo se reconecta muito mais com São Tomas que com o neoplatonismo e o hermetismo místico do Renascimento. As raízes da “Soberba da Razão” da filosofia moderna devem ser buscadas, por conseguinte, na pretensão do tomismo de construir uma teologia intelectualista e abstrata. Em segundo lugar, a crise dos valores e o vazio existencial ao qual tem chegado o pensamento europeu com Darwin, Nietzsche e Freud não é uma conseqüência do humanismo renascentista, senão pelo contrario, deriva da persistência de conceições cristãs medievais dentro da sociedade moderna. A tendência ao dualismo e ao dogmatismo, o sentimento de culpa, a rejeição do corpo e do sexo, a desvalorização da mulher, o terror à morte e ao inferno, são todos resíduos do cristianismo medieval, que ainda depois do Renascimento, tem influído fortemente no pensamento ocidental. Aqueles determinaram, com a Reforma e a Contra-reforma, o âmbito sócio-cultural no qual o pensamento moderno tem se desenvolvido. 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		<author><name>Natacha Mota</name></author>
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		<title>Natacha Mota: Criou a página com &quot;É um caso do humanismo filosófico. Passamos a dar a interpretação de Salvatore Puledda em “Interpretações do Humanismo (II. O Humanismo Cristão)”. “A interp...&quot;</title>
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		<updated>2018-03-05T16:02:16Z</updated>

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&lt;p&gt;&lt;b&gt;Página nova&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;É um caso do [[humanismo filosófico]].&lt;br /&gt;
Passamos a dar a interpretação de Salvatore Puledda em “Interpretações do Humanismo (II. O Humanismo Cristão)”. “A interpretação do Cristianismo de cariz humanista deve-se enquadrar no processo geral de revisão e de adaptação das doutrinas cristãs ao mundo moderno, com respeito ao qual a Igreja tinha adotado durante séculos uma posição de rejeição ou de aberta condenação. Normalmente, considera-se que a viragem da Igreja começa a partir da encíclica Rerum Novarum, de Leão XIII (1891). Com esta encíclica, a Igreja adoptou uma doutrina social que pudesse contrapor o liberalismo e o socialismo. A Igreja autorizou a formação de partidos de massas de inspiração cristã e voltou a propor-se a si mesma como portadora de uma visão do mundo e de uma ética capazes de dar resposta às necessidades mais profundas do homem moderno. É neste intento que se enquadra o humanismo cristão, cujo iniciador pode ser considerado J. Maritain. Este tinha sido, primeiro, aluno de Bérgson, e depois tinha aderido ao socialismo revolucionário. Insatisfeito com ambas as filosofias, em 1906 converteu-se ao Catolicismo. Foi um dos expoentes mais notáveis da chamada neo-escolástica, ou neotomismo. Ou seja, daquela corrente do pensamento católico moderno que remonta diretamente a São Tomás de Aquino e, através dele, a Aristóteles, cujo pensamento São Tomas havia adaptado aos dogmas cristãos. A de Maritain é, então, uma posição cultural que se contrapõe radicalmente à tendência mais geral do pensamento moderno, do Renascimento em diante. Com efeito, foi precisamente contra a escolástica tomista (a expressão mais típica do pensamento medieval), que tinham se lançado os humanistas do Renascimento. Deste modo, Maritain dá um salto para trás, para além do Renascimento. E faz isto porque é precisamente no humanismo renascentista onde descobre os germes que têm levado à crise e ao quebrantamento da sociedade atual. Com isto, ele não pretende explicitamente revalorizar o Medievo e a visão cristã ligada àquele período, mas retomar o fio de uma evolução histórica do Cristianismo e seu aperfeiçoamento na sociedade que, segundo a sua visão, tem sido comprometido pelo pensamento moderno, laico e secular. No seu livro Humanismo Integral, Maritain examina a evolução do pensamento moderno desde a crise da Cristandade medieval ao individualismo burguês do século XIX e ao totalitarismo do século XX. Nesta evolução ele vê a tragédia do humanismo ‘antropocêntrico’ (assim o chama), que se desenvolve a partir do Renascimento. Este humanismo, que tem levado a uma progressiva descristianização de Ocidente é uma metafísica da ‘liberdade sem a Graça’. Eis aqui as etapas desta decadência progressiva: ‘Quanto ao homem, pode-se notar que durante o primeiro período da época moderna, primeiro que tudo com Descartes e logo com Rousseau e Kant, o racionalismo tinha construído da personalidade do homem uma imagem soberba e esplêndida, indestrutível, zelosa de sua imanência e autonomia e, finalmente, boa por essência’. Mas esta soberba racionalista, que primeiro eliminou todos os valores tradicionais e transcendentes e logo, com o idealismo, até a noção de realidade objetiva, tem gerado ela mesma a sua própria destruição. Primeiro Darwin e depois Freud assestaram os golpes mortais à visão otimista e progressista do humanismo antropocêntrico. Com Darwin, o homem descobre que não existe descontinuidade biológica entre ele e o macaco. Mas, não somente isto: entre ele e o macaco nem sequer existe uma verdadeira distinção metafísica, é dizer, não há uma mudança de essência, um verdadeiro salto de qualidade. Com Freud, o homem descobre que suas motivações mais profundas estão ditadas em realidade pela líbido sexual e o instinto de morte. No final deste processo dialético e destrutivo, já se abriram as portas aos totalitarismos modernos. Conclui Maritain: ‘Depois de todas as dissociações e os dualismos da época humanística...assistimos a uma dispersão e uma decomposição definitivas. O que não impede o [[ser humano]] de reivindicar mais do que nunca a própria soberania, mas já não mais para a pessoa individual. Esta já não sabe onde está e vê-se somente dissociada e decomposta. Está já madura para abdicar em favor do homem coletivo, daquela grande figura histórica da humanidade da qual Hegel tem feito teologia e que, para ele, consistia no Estado como sua perfeita estrutura jurídica, e que com Marx consistirá na sociedade comunista com o seu dinamismo imanente’.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao humanismo antropocêntrico, cuja evolução assim descreveu, Maritain opõe um humanismo cristão, que ele define como ‘integral’ ou ‘teocêntrico’. Eis aqui como se expressa: ‘Somos assim levados a distinguir dois tipos de humanismo: um [[humanismo teocêntrico]], ou verdadeiramente cristão e um humanismo antropocêntrico (*) do qual são responsáveis o espírito do Renascimento e o da Reforma. O primeiro tipo de humanismo reconhece que Deus é o centro do homem, implica o conceito cristão de homem pecador e redimido, e o conceito cristão da A Graça e a liberdade. O segundo acredita que o homem mesmo é o centro do mundo, e pelo tanto de todas as coisas, e implica um conceito naturalista do homem e da liberdade. Entende-se porque o humanismo antropocêntrico merece o nome de humanismo inumano e que sua dialética deva ser considerada a tragédia do humanismo’. Ao humanismo teocêntrico, Maritain lhe confia a tarefa de reconstruir um mundo orgânico que reconduza à sociedade profana sob a guia dos valores cristãos. A interpretação cristã que Maritain deu do humanismo foi acolhida com entusiasmo em alguns setores da Igreja e entre vários grupos laicos. Por outra parte, inspirou numerosos movimentos católicos comprometidos com a ação social e a vida política, resultando ser uma arma ideológica, sobretudo contra o marxismo. Mas essa interpretação recebeu também criticas demolidoras em âmbitos filosóficos não eclesiásticos. Em primeiro lugar, observou-se que a tendência racionalista que aparece na filosofia post renascentista e que Maritain denuncia em Descartes, Kant e Hegel, pode-se fazer remontar à Escolástica tardia e inclusive ao pensamento de Santo Tomás. Esta tendência, que levará à crise e derrota da razão, não é um produto do humanismo renascentista, senão mais bem do tomismo. Para estes críticos, Maritain cumpriu com uma obra colossal de mistificação e camuflagem, quase um jogo de prestidigitação filosófica, atribuindo ao Renascimento uma responsabilidade histórica que, pelo contrario, pertence ao pensamento cristão medieval tardio. A filosofia cartesiana que se encontra na base do pensamento moderno, em seu racionalismo se reconecta muito mais com São Tomas que com o neoplatonismo e o hermetismo místico do Renascimento. As raízes da “Soberba da Razão” da filosofia moderna devem ser buscadas, por conseguinte, na pretensão do tomismo de construir uma teologia intelectualista e abstrata. Em segundo lugar, a crise dos valores e o vazio existencial ao qual tem chegado o pensamento europeu com Darwin, Nietzsche e Freud não é uma conseqüência do humanismo renascentista, senão pelo contrario, deriva da persistência de conceições cristãs medievais dentro da sociedade moderna. A tendência ao dualismo e ao dogmatismo, o sentimento de culpa, a rejeição do corpo e do sexo, a desvalorização da mulher, o terror à morte e ao inferno, são todos resíduos do cristianismo medieval, que ainda depois do Renascimento, tem influído fortemente no pensamento ocidental. Aqueles determinaram, com a Reforma e a Contra-reforma, o âmbito sócio-cultural no qual o pensamento moderno tem se desenvolvido. A esquizofrenia do mundo atual, a ‘dialética destrutiva’ de Ocidente (sobre a qual Maritain insiste) deriva, segundo estes críticos, da coexistência de valores humanos e anti-humanos, e deve ser explicada como o intento doloroso por se liberar dessa pugna interna”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Dicionário do Novo Humanismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Natacha Mota</name></author>
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